Mais de 500 cidadãos moçambicanos começam a regressar ao país esta segunda-feira, na sequência da onda de violência xenófoba registada em Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental, na África do Sul.
A operação de repatriamento está a ser coordenada pelas autoridades moçambicanas e abrange cidadãos oriundos das províncias de Maputo, Gaza, Inhambane e Manica, afectados pelos ataques contra imigrantes estrangeiros.
Segundo informações divulgadas pela Rádio Moçambique, cerca de 300 nacionais já regressaram ao país durante o fim-de-semana, utilizando meios próprios através dos postos fronteiriços da Ponta do Ouro e de Ressano Garcia.
Os confrontos, associados a actos xenófobos, resultaram na morte de pelo menos quatro moçambicanos e deixaram vários outros feridos, alguns dos quais permanecem internados em unidades hospitalares sul-africanas.
De acordo com o líder da comunidade moçambicana no Cabo Ocidental, Manuel Chicanhane, as vítimas mortais foram sujeitas a extrema violência durante os confrontos.
“Usaram instrumentos, catanas, os outros foram esfaqueados e os outros também foram batidos pelas pedras. É assim que os nossos irmãos moçambicanos perderam a vida no bairro de Mossel Bay”, relatou.
Segundo a mesma fonte, os confrontos envolveram cidadãos moçambicanos e sul-africanos residentes naquela localidade, num ambiente marcado por tensões contra estrangeiros.
Perante os ataques, vários moradores tentaram defender-se, mas a intensidade da violência obrigou centenas de pessoas a abandonarem as suas residências e procurarem regressar ao país.



